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Porta na cara

11/05/2009
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por Vicente Criscio

Artigo publicado originalmente no Business Blog, da PCMag
em março de 2009

 

Semana passada fui acometido de uma pequena gripe. E trabalhei de casa. Sozinho! Ou quase.

 

Eu gosto disso: ficamos eu e “Cacau” - minha simpática filhote de Schnauzer – desenvolvendo propostas e revisando projetos de marketing de relacionamento.

 

 

De repente entra uma ligação na linha “fixa” de casa. Atendo e procuram pela minha esposa. “Gostaria de falar com Dona Ivanise Criscio”. Informo que ela não se encontra. “Não está? Aqui é o corretor Huguinho, da Construtora XY Zela. Gostaria de convidá-la para visitar o estande de lançamento de um Condomínio de apartamentos de alto padrão”.

 

 

 

 

 

O empreendimento em questão era perto de casa, apartamentos de alto padrão, um monte de  suítes, metros que não acabavam mais de área útil, só não tinha aeroporto, o resto tinha. Caríssimo! Expliquei que minha esposa já tinha visitado o empreendimento – e era verdade, mas foi por iniciativa própria, ninguém a procurou previamente - e até trouxe um catálogo muito bonito. Mas nesse momento não estávamos interessados.

Dez minutos depois novamente o telefone chama. “Gostaria de falar com Dona Ivanise? Ela não está? Aqui é o corretor Zezinho, da Construtora XY Zela. Gostaria de convidá-la para o lança…”.

 

 

Interrompi educadamente. Informei que ela já havia ido ao local e que aquela era a segunda ligação do dia. Aliás, a 2ª ligação em menos de meia hora.

 

 

Uma hora depois, entretido com números de uma planilha de resultados, outra ligação: “Por favor, Dona Ivanise? Aqui é o corretor Luizinho e trabalho com o Huguinho que me pediu para convidá-la…”.

 

 

Parô! Terceira ligação? com o “referral” do colega que fez a primeira chamada? Ou estão brincando ou estão com um sério problema para aquisição de clientes.

 

 

Misturando o “mal humor” de cliente com a “paciência” de quem quer o marketing direto crescendo, expliquei que aquela era a terceira (“entendeu bem? Terceira”) ligação do dia. E que ela - a esposa - já tinha visitado o tal estande. E que não estávamos interessados! E que eles precisavam se organizar um pouco melhor e blá, blá, blá…

 

 

E depois de me ouvir educadamente o corretor Luizinho veio com essa: “ah tá! Mas e o senhor? Não estaria interessado em vir ao estande?”.

Tu-tu-tu-tu… não aguentei e desliguei.

 

 

MORAL DA HISTÓRIA

 

 

Ou as empresas aprendem a fazer marketing de relacionamento com quem elas não têm relacionamento algum ou vão continuar no velho modelo, abrindo lista telefônica e registrando o telefone em cadernetas que são tão voláteis quanto a carreira do Huguinho, Zezinho e Luizinho na XY Zela. E a “porta” continuará batendo na cara do vendedor.

 

 

 

Vamos investir em marketing de relacionamento?

 

 

 

 


 

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